Piodão Trail Running 2017

 

À terceira é de vez, talvez!

Sendo eu supersticioso q.b. tinha presente que isto não era um facto científico e que poderia acontecer alguma coisa, que me impedisse, mais uma vez, de participar nesta prova.

Na verdade esta seria a quarta tentativa. Na primeira tentativa tive uma lesão que me impediu de participar na prova dos 20 kms. Na segunda tentativa, a minha gata teve os seus gatinhos, dias antes da prova. E na terceira tentativa, houve um incêndio de grande dimensões no prédio ao lado do meu.

A minha teimosia, associada ao facto da serra do Açor ser uma das minhas preferidas em Portugal, levaram-me a incluir mais uma vez o Piodão Trail Running no meu calendário de provas para 2017.

As semanas que antecederam a prova, o corpo tinha reagido bem aos treinos e ao descanso (pouco).

Os objectivos estavam traçados:

1º Testar a máquina para avaliar a evolução do treino;
2º Terminar a prova;
3º Concluir em menos de 10 horas.

A pernoitar em Viseu, já levava tudo preparado de Lisboa no dia anterior. Apesar de não ser a primeira prova, convém sempre verificar o regulamento e material obrigatório para evitar surpresas de última hora.

Apesar de ser quase obcecado com a preparação de cada prova, tenho ao mesmo tempo, uma queda para imprevistos. E dado o historial com esta prova, na minha cabeça, tudo seria possível…

Dia D!

5h30 já de pé em versão Zombie! Pegar no pequeno-almoço para comer mais tarde e seguir rumo ao Piodão. Mesmo sabendo o caminho de olhos fechados, tinha de os ter bem abertos com o denso nevoeiro que encontrei pelo caminho.

Para quem nunca foi ao Piodão, não sabe o perde! Uma aldeia, das mais bonitas de Portugal, pequenina mas acolhedora.

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Ainda ensonado, tomar pequeno almoço reforçado, trocar algumas palavras com amigos e preparar para o arranque.

O tempo já estava a ajudar, o nevoeiro tinha ficado pelo caminho e o céu limpo tomava conta do cenário envolvente.

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Tinha pela frente mais de 2800 m D+ e iria subir até aos 1375 metros durante os 50 kms de prova.

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Saída da aldeia até Chã D’ Égua, um dos pontos mais baixos de toda a prova, para a primeira grande subida. 4 kms de estradões até aos 1220 metros de altitude. Algumas subidas e descidas até ao PAC 2 em Malhada Chã, aos 16 Kms, para retemperar as energias.

Seguiu-se a segunda grande subida, mais 4 kms, 570 m D+, até ao ponto mais alto, 1390 metros. Para quem pensava que a subida tinha sido dura, a descida íngreme até à Covanca, foi um verdadeiro massacre para as pernas.  Duas opções ou aceleras e aguentas o embalo ou vais travando e massacras ainda mais as pernas. Na verdade a única opção, seria descer, descer, descer … sempre!

Mal sabia eu que teria à espera, uma bela sopa de cozido. Que satisfação!!! Soube-me pela vida.

25 Kms feitos, 25 kms por fazer! Meio da prova e o balanço, era muito positivo. Longe do pico de forma, mas bem encaminhado. Na segunda parte da prova seria fazer uma gestão equilibrada para cumprir os objectivos traçados.

7 kms de subidas e descidas, em que o corpo não reagiu muito bem, acusando algum cansaço. PAC 4, com direito a bifana, para ganhar reservas para a última grande subida íngreme de 3 kms até aos 1210 metro de altitude. Esta foi a subida mais lenta com algumas paragens, para analisar de futuro, a causa da indisposição. Recuperado, desci até ao PAC 5 aos 36 Kms, muito animado e finalmente com rede para ligar para casa e receber algumas palavras de ânimo extra, para me aventurar para a última subida até ao  Colcurinho.

Durante todo o percurso só me perdi uma ou duas vezes, distraído com a paisagem e confiando na orientação do colega da frente.  E aqui foi a primeira, a admirar a paisagem à volta, ao som das eólicas, que acrescentei os primeiros 500 metros ao percurso. Nada demais, afinal só faltava a última subida.

Entre risos, lá segui caminho, até à nossa Sra do Colcurinho, não para acender uma vela, mas para uma última bifana e desta vez regada com cerveja preta.

41 Kms concluídos. Já só faltavam 10 kms!!!

O corpo apesar do cansaço ainda se sentia com energia para o último desafio. Gosto sempre de guardar umas reservas para um boost de final de prova.

Assim foi 6 kms de descidas íngremes e estradões em direção a Foz D’Égua, tão lançado que ia que quando vi o Piodão, nem olhei para as marcações e segui para o Piodão. Ainda a tempo, lá despertei do efeito hipnotizantes da aldeia e reparei que não tinha marcações já há algum metros e voltei para trás, registando assim no segundo engano, mais 600 metros.

Claro que encontrei os mesmos atletas que tinha deixado para trás na descida, que espantados, perguntavam-me porquê que tinha ficado para trás.

Foz D’Égua, 47 kms, 3 kms para o final! Na verdade a placa indicava 2800 metros para o Piodão!

Ligeira subida, a tentar dar tudo por tudo para terminar dentro tempo pretendido.

Entrada na aldeia, sempre a correr, que é assim que se termina as provas!

9h51m58s no fim do pelotão, mas de coração cheio. Objectivos cumpridos.

Troféu acompanhado de um belo repasto em casa para uma boa recuperação.

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Resumo:

Pontos positivos | +percurso +organização +abastecimentos

Pontos negativos | – controlo zero (devia ser mais rigoroso) – zona de estacionamento

 

Boas provas em COMPANHIA!

 

Apoios Corridas & Companhia 2017

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*fotos Pedro Barbeitos

 

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