Trilhos dos Abutres 2017

 

Já vai longe esta aventura, mas torna-se quase obrigatório, partilhar este relato.

Tanto pela grandeza da prova, uma das mais mediáticas no panorama do trail em Portugal, como pela sua qualidade a todos os níveis.

O Trilho dos Abutres já é uma marca de referência além fronteiras e na sua 7º edição, contou com mais de 1000 participantes de diferentes nacionalidades.

Pelo o segundo ano consecutivo tive a oportunidade de participar na provas dos 50 kms.

O mediatismo desta prova começa logo na fase de inscrições sempre envolta em muita polémica. Sempre com muitos interessados a organização opta por fazer uma primeira fase de inscrições online, que esgotam em minutos e uma segunda fase por sorteio preenchendo as vagas restantes.

O ano passado consegui ser sorteado já na segunda fase e este ano, com muita insistência consegui inscrição ainda na primeira fase.

Esta foi a prova escolhida para arrancar o ano, sabendo de antemão a empreitada que tinha em mãos. Uma prova muito dura, muito técnica, em que as condições se podiam agravar bastante se a chuva fizesse questão de nos acompanhar.

A serra da Lousã é um dos meus locais preferidos para correr e talvez onde tenho feito mais provas, todas inesquecíveis, por razões diferentes. Comecei em 2014 com a TSL, seguiu-se a tentativa do UTAX em 2015 e a primeira participação no Trilho dos Abutres em 2016.

A paisagem é incrível, a organização bastante competente e acolhedora e temos sempre a garantia de um bom empeno.

Bem começámos com o tour habitual, viagem de véspera para Leiria, para na manhã seguinte rumar a Miranda do Corvo com a companhia da minha irmã.

Pelas 5h30 acordar, vestir e arrancar para o destino. Para quem me conhece, sabe que nunca durmo quando o entusiasmo, nervosismo e tudo mais me preenche todos os segundos do meu pensamento. Mas desta vez tinha dormido que nem uma pedra, até me tinha deitado cedo.

Já a caminho da prova, ouve-se o seguinte comentário: “É a primeira vez que te vejo com tão pouco entusiasmo”. É verdade… pela primeira vez não estava entusiasmado, aliás cheguei a ter um sentimento misto de falta de entusiasmo e revolta. Revolta por me sentir assim, sabendo que era um trilho 5 estrelas e que não estava com ganas de o enfrentar.

12 a 14 horas de trabalho nos últimos e uma preparação insuficiente, revelavam agora um corpo cansado que sabia a tareia que ia levar, 50 km com 2600 m D+.

trace.png

Objectivo: correr a um ritmo calmo sempre que possível e manter um bom ritmo nas subidas.

Começo logo bem à saída de Miranda do Corvo, antes de sair do Parque Biológico, tive que me despir quase todo porque esta cheio de calor, atrasando-me tanto que fiquei a achar que seria o último do pelotão.

20170128_082716.jpg

Lá seguimos para a primeira subida e tudo seguiu calmamente até ao primeiro abastecimento no Centro de Estágio de Trail Running.  Passamos pelo Giestal, Cardeal e Souravas e o corpo começava já acentuar cansaço, pesado e a pensar em desistir porque a sova ainda agora tinha começado.

20170128_120531.jpg

Lá se seguiu até ao parque eólico de Vila Nova e depois desta breve passagem pelos trilhos que me levariam até ao posto de abastecimento 2, eis que acontece o que remata a minha participação nesta prova. Num dos passadiços de madeira que serviam os riachos que se atravessavam no caminho, não reparei que se encontrava danificado e afundei completamente sem qualquer suporte, caindo totalmente desamparado.

Confesso que já dei quedas bem piores, como no MIUT ou mesmo em treinos, mas estava já tão cansado que não tive tempo de reação. Apesar do aparato, escoriações várias, as farpas da madeira partida do passadiço fizeram o favor de lancetar um bom bocado do meu anelar direito. Uma cena digna de um filme de zombies que obrigou a complementar com uma cena à Rambo na Fúria do Herói, e arrancar com a boca o excesso de pele do meu anelar, debaixo de água gelada no parque das Merendas .

20170128_122047.jpg

Heroicamente arrasto-me a cantarolar pela subida até ao Observatório Astronómico e da Natureza António dos Reis, ponto mais alto da prova e onde estava localizado o abastecimento 2.

Cerca de 23 kms percorridos, ainda teria tempo de descer até à Nossa Sra da Piedade, mas não estava em condições para poder usufruir de uma boa corrida depois da queda.

Tempo ainda para uma viagem bem camuflada com outros atletas enlameados até Miranda do Corvo e assistir à chegada alucinante dos primeiros classificados das provas de 30 e 50 kms.

20170128_131151.jpg

Para o ano quero cá voltar de certeza e fazer o HAT-TRICK!

Resumo:

Pontos positivos | +percurso +organização

Pontos negativos | nada a apontar

Boas provas em COMPANHIA!

Apoios Corridas & Companhia 2017

Physiokinesis Clínica Fisioterapia  |  Rapid FitWell |  Primal Pantry |  EU nutrition

*fotos Pedro Barbeitos

 

 

 

 

 

 

Anúncios