Suplementos nutricionais parte 2

Quem deve tomar

A ingestão de vitaminas e minerais varia muito de pessoa para pessoa. A maioria da população consegue atingir os níveis adequados destes nutrientes, contudo outra parte da população não consegue atingir devido a uma escolha incorrecta dos alimentos ou ao estilo de vida sedentário.

  • Indivíduos que praticam constantemente dietas: estas tentativas de perda de peso por vezes conduzem a desequilíbrios nutricionais, isto porque levam a um consumo menor de alimentos, que além de serem seleccionados promovem dietas muito restritivas. Sabemos que há um aumento do consumo de frutas e legumes, contudo a carência nutricional são de alimentos de origem animal. Os principais nutrientes afectados são: o ferro, o zinco, o iodo e o cálcio.
  • Vegetarianos: se uma dieta vegetariana for planeada com cuidado, o risco de deficiência de nutrientes é mínima. Os ditos vegetarianos puros, correm maior risco de sofrer de carências nutricionais daí que muitos recorram aos suplementos. As mulheres, em especial, têm um risco aumentado de anemia, isto devido à reduzida ingestão de ferro (é mais fácil obter ferro nos produtos de origem animal, do que nos de origem vegetal).
  • Crianças que por algum motivo têm hábitos alimentares requintados: se uma criança não come um grupo de alimentos, por exemplo, se não ingere leite e produtos lácteos (alimentos do grupo 1 da Roda dos Alimentos), arrisca-se a ter insuficiência de cálcio, assim é provável que precise de um suplemento deste nutriente.
  • Indivíduos com rotina diária acelerada, que promove “stress”: nestas alturas em que há uma aceleração do metabolismo, as necessidades de vitaminas do complexo B estão aumentadas. Por sua vez o stress leva a uma alimentação descuidada, onde impera refeições ricas em salgados, aperitivos, sanduíches, açúcares e gordura, promovendo assim um aumento do sódio no organismo, com a consequente subida da tensão arterial. Um suplemento em potássio levaria a equilibrar o excesso de sódio.
  • Fumadores: o cigarro estimula a produção de “radicais livres” – moléculas estas que levam ao surgimento de determinadas patologias, se houver um aumento de vitamina C ou de antioxidantes, há um bloqueio na acção dos “radicais livres”. Contudo os danos provocados pelo tabaco, nunca são compensados com o consumo de suplementos.
  • Indivíduos que ingerem elevadas quantidades de álcool: o álcool vai “ocupar” o lugar dos alimentos. Daí um bom recurso aos suplementos.
  • Indivíduos que tomam determinados medicamentos: por exemplo, as necessidades de diversos nutrientes estão aumentadas quando há uma ingestão de pílulas anticonceptivas, antidepressivos.

Ainda há a referir, que as necessidades nutricionais vão sendo diferentes no decurso da vida;

  • Grávidas: as necessidades de vitaminas e minerais estão aumentadas. Um exemplo disso é a ingestão de suplementos de ácido fólico, para evitar defeitos congénitos no feto.
  • Patologias e outros problemas de saúde: existem determinadas doenças, como a doença de Crohn, a colite ulcerosa, a doença celíaca, entre outras, que fazem com que não haja uma absorção correcta dos nutrientes. Assim a necessidade de suplementos é fundamental, nomeadamente de zinco, sódio, potássio e ferro. Já as doenças inflamatórias (como artrites, eczemas) reagem bem a suplementos de ácidos gordos ómega-3. Também se recorre em situações de pós-cirurgias, queimaduras, fracturas, entre outras, porque as necessidades estão aumentadas.

 

Quem não deve tomar

Uma pessoa saudável que coma razoavelmente bem para evitar deficiências nutricionais específicas não carece da toma de suplementos.

O que os suplementos não fazem

Embora existam muitos benefícios em redor dos suplementos, é necessário ter consciência de que existe algumas restrições:

– não servem para substituir a alimentação,

– não corrigem os erros de uma alimentação descuidada, onde impera o consumo de gorduras e açúcares,

– não podem compensar hábitos que prejudicam a saúde, como a falta de exercício físico, o tabagismo ou o álcool.

– os benefícios só são mais evidentes, se houver uma mudança no estilo de vida da pessoa, por exemplo: os suplementos que dizem que queimam gorduras, decerto que as queimaram e por isso perderá peso, mas essa perda de peso será mais evidente, se a pessoa melhorar o tipo de alimentação e se praticar exercício físico regular,

– não promovem a cura de doenças crónicas ou mesmo ditas graves, como a diabetes, a sida, o cancro, mas o suplemento correcto pode ajudar a melhorar os problemas crónicos e toda a sintomatologia.

Prevenção de patologias

Alguns suplementos têm a capacidade de prevenir e combater a doença. Normalmente os níveis de nutrientes que estão relacionados para a prevenção têm que atingir os valores das DDR (doses diárias recomendadas).

Por exemplo: o Ferro vai ajudar à prevenção de certos tipos de anemia, o Cálcio quando tomado no decurso da vida previne a osteoporose mais tarde, o recurso ao Flúor têm a finalidade de evitar a cárie dentária.

 

Tratamento de patologias

Uma mudança na atitude das pessoas relativamente aos produtos farmacêuticos fizeram com que o consumo de suplementos aumentasse. Então recorre-se aos suplementos em doses terapêuticas.

Por exemplo: o Iodo vai regularizar o funcionamento da glândula tiróide, a vitamina A é importante para quem tem graves problemas de acne, a vitamina B3 (niacina) é necessária para diminuir os níveis elevados de colesterol.

Vantagens:

Com novas informações sobre os suplementos, tem havido uma modificação na postura das pessoas relativamente aos produtos farmacêuticos, o que favorece um aumento do consumo dos suplementos.

– podemo-nos deparar com uma enorme diversidade de suplementos, formulados especialmente para as necessidades de cada um.

– as vitaminas, minerais e outros suplementos reforçam a nossa saúde, através da prevenção de patologias, desta forma, estamos perante uma vida sadia, logo sem doença e produtiva.

– se utilizados, com bom senso, auxiliam o sistema imunitário na prevenção da doença, contudo em casos de doença reforçam e aceleram o processo de cura.

Desvantagens:

Uma ideia ainda persiste: “tudo o que é natural, é isento de perigo”, o que nem sempre é verídico.

– há que ter em conta a absorção e a biodisponibilidade dos suplementos nutricionais. Uma vez, que muitos deles são sintetizados em laboratório não se sabe ao certo a quantidade de suplemento absorvida pelo organismo necessária para atingir as DDR, quer para a prevenção quer para a terapêutica. Quanto à biodisponibilidade, esta vai estar relacionada com a absorção dos suplementos quando se faz a ingestão, conjuntamente com os alimentos. Por exemplo, o Ferro que é ingerido às refeições é melhor absorvido se tomado com pequenas quantidades de carne e alimentos que contenham vitamina C. Outro exemplo, é o do Cálcio: a sua absorção é mais eficaz se a ingestão do suplemento for feita às refeições, mas a sua acção na formação do osso é fortalecida quando ingerida juntamente com vitamina D. Mas se essa alimentação for rica em fibra faz com que o cálcio ingerido forme precipitados, levando à não absorção do ião.

– muitos dos suplementos quando tomados em doses elevadas podem tornar-se tóxicas. Um bom exemplo disso são: o Zinco, que quando em excesso bloqueia a absorção do cobre; o excesso de vitamina B6 pode danificar o sistema nervoso; doses elevadas de vitamina A podem provocar perturbações nos ossos, na pele, como também promove a queda de cabelo, aumento do volume do fígado e aumento da taxa de colesterol.

Conclusão

Os suplementos nutricionais devem ser utilizados para enriquecer a alimentação e nunca para substitui-la. Desta forma, não se deve utilizar para compensar a não ingestão de legumes, frutas e produtos integrais. Há a necessidade de procurar alimentos que não só tenham um bom paladar, mas que nos façam bem, tudo isto faz parte das regras para uma alimentação racional. Assim, uma pessoa saudável que não possa fazer uma alimentação dita equilibrada, a ingestão de suplementos irá completar as faltas ou aumentar de bons para óptimos, os níveis de nutrientes que consome. Por fim, a decisão de trocar um alimento por um suplemento nunca deve ser exclusivamente sua.

(1ª parte deste artigo aqui neste link.)

 

Elaborado pelo nutricionista Alexandre Fernandes/ Bemnutrir

 

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*foto Eunutrition

 

 

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