Trilhos dos Abutres 2016

Se valeu a pena?

Ainda estou a digerir toda a experiência.

A primeira resposta será : SE PUDER VOLTO JÁ PARA O ANO!

Há muito tempo que não sentia um nervosismo na barriga com tanta expectativa que tinha posto nesta prova.

Os relatos assustadores da edição 2015 aumentavam mais ainda o grau de ansiedade.

Rumei de Lisboa na sexta-feira com a mala mais uma vez cheia de trailzices e só à chegada reparei que tinha-me esquecido de fazer o resto da mala. O que vale é que tive uns anfitriões que me salvaram dos esquecimentos.

O pensamento nem podia estar noutro sítio, não fosse este o primeiro objectivo do calendário.

Sábado pelas 5h30 já estava de pé para chegar com tempo ao mercado municipal de Miranda do Corvo, spot escolhido pela organização para o local de partida/meta e onde se encontravam o secretariado da prova e ainda os stands da exportrail.

Sequência obrigatória: levantamento do dorsal, casa de banho, controlo zero!

Neste caminho foram vários os avisos por parte da organização que a partida seria dada à hora certa e quem não passasse pelo controlo, ficaria em terra.

O ambiente era impressionante, entre atletas que se preparavam e apoiantes que entusiasticamente tiravam fotos e davam as últimas palavras de apoio.

Tudo pronto para a partida e dada a conjuntura e o fervilhar de adrenalina, isto só me fazia lembrar o soltar do gado.

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Arrancámos para sair de Miranda do Corvo e parecia que tinha mudado de país!

“Que infierno!”

“De puta madre!”

“Increible!”

Ainda a procissão ia no adro e foi ao som de nuestros hermanos que fiz os primeiros kms. Não se calaram um segundo, tinham entusiasmo para dar e vender. Como se não chegasse o meu entusiasmo!

Dado o desnível que se avizinhava não havia razões para tanta euforia. E na minha cabeça passavam em loop os relatos detalhados do verdadeiro inferno de 2015.

O percurso foi mostrando a pouco e pouco os seus obstáculos técnicos, mas mais do que dificuldades impostas pela necessidade de tornar as provas mais duras, os Abutres não precisam disso.

A organização delineou um traçado aproveitando tudo o que a serra nos dá. E que percurso!

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A promessa de uma bifana!

Ao chegar ao abastecimento 2, em conversa com a equipa de apoio, surgiu o tema bifanas, pelo que eu meti na cabeça de que no próximo abastecimento teria a tão afamada iguaria.

Acho que até corri mais rápido até ao próximo abastecimento no Santuário da Nossa Senhora da Piedade de Tábuas.

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SOPA!!! Só havia SOPA!!! Tinha percebido mal e para aprender a moral foi abaixo! Lá meti 3 sopas no bucho para tentar animar e rumo ao Parque Eólico. Como geri mal o combustível o corpo começou a reclamar e foi aqui a parte mais lenta de todo o percurso.

Mas o frio que se fazia sentir no alto do Parque Eólico passou para segundo plano quando senti o perfume do porco na brasa! Que bem me souberam as duas bifanas no pão e um copo de coca-cola.

Parecia que tinha começado a prova e  só faltavam 13 kms.

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A partir daqui foi sempre a acelerar, revigorado com o combustível. Só abrandei mesmo para salvar um atleta no mar de lama traiçoeiro com que nos deparamos a 2-3 kms do final.

Uma verdadeira cena à filme de suspense, de repente ele desapareceu à minha frente, tendo ficado enterrado na lama até ao umbigo. Puxá-lo para fora e seguir em frente!

Já no final ainda me cruzei com o João Barbosa que cortou comigo a meta dos 85 kms na Arrábida no ano passado.

Os meus cortar de meta são sempre dignos de registo, para o bem e para o mal.

Aqui, depois desta verdadeira aventura, pedia uma recepção apoteótica no mercado municipal. Mas cheguei no momento da entrega de prémios dos 25 kms que estavam a acontecer na meta.

A organização apressou-se a pedir desculpa! Sem ressentimentos! Mas tive direito a banda filarmónica à chegada.

Sem dúvida que não seria isto que mudaria a minha impressão deste desafio.

Os Abutres têm de tudo, paisagens de postal, descidas para dar e vender, descidas técnicas, zonas de corda e escalada, água para fazer piscinas e banhos de lama para tratar a pele.

Esta ficará gravada no TOP 5 das provas em Portugal! Uma prova que superou as minhas expectativas!

09:27:22, 399º lugar da geral de 516 atletas que terminaram a prova.

 

Resumo:

Pontos positivos | +percurso + equipa … tudo

Pontos negativos | nada a apontar

 

Boas provas em COMPANHIA!

 

 

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* foto José Gonçalves –FotosdoZÉ e Trilhos dos Abutres

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