Grande Trail da Serra D’Arga (GTSA) 2014

O primeiro sinal que viria a participar nesta prova, apareceu há alguns meses quando um aluno meu de 7 anos, me entregou um panfleto e disse: “Professor, o Carlos Sá dormiu lá em casa dos meus pais e trouxe um folheto para si!”

fotogtsao tal folheto…

E nos dias 27 e 28 de Setembro, começou a edição 2014 do GTSA. Um evento composto por quatro provas,

GTSA Vertical – 4,5 kms 800 D+ , o trail curto- 20 kms 1000 D+, o trail longo – 33 kms 1900 D+ e o ultra trail – 53 kms 3000 D+ e ainda o trail jovem para atletas dos 7 aos 16 anos, com distâncias entre os 500 e 2000 metros.

Uma verdadeira aventura!

A logística para este desafio revelou-se um verdadeiro quebra-cabeças!

 

1. Equipamento

A pedido do meu amigo Miguel Costa fica aqui a minha lista completa.

foto_gtsa_4o chão da sala, cheia de material

foto_gtsa_3lista completa e altimetria da prova

Momento para testar equipamento e logística da sua utilização. Segundo as previsões metereológicas, o tempo iria estar complicado, chuva, lama… pelo menos a uma semana do dia D.

Para a chuva iria testar um impermeável da Decathlon, pela primeira vez e para lutar contra a lama e rocha, os meus queridos Riot 5 das Adidas, que tão bem se tem portado.

O calçado portou-se cinco estrelas, super aderência a todas as condições e pés em óptimo estado. Já o impermeável… não foi necessário, porque esteve o tempo ideal durante toda a prova.

Aproveitei para treinar com os bastões durante uns bons kms. Estes têm o inconveniente de não se dobrarem e tenho que estar com eles sempre na mão.

A alimentação manteve-se fiel à utilizada em treinos longos: bolsa com 2 litros de isotónico, bidon de 750 ml com àgua, um saco com tomates e outro com sal, saquetas com mel e duas barras e géis para alguma emergência (uma vez que tenho mantido a filosofia anti-gel para evitar perturbações intestinais  imprevistas). Mais uma vez não foram necessários, utilizando apenas o que levava e tostas com e bolo dos abastecimentos.

 

2. A viagem

Tardiamente confirmei o modo de transporte para Caminha e fiquei em mãos com um problema.

Estava previsto viajar com alguns amigos que participariam, que por motivos imprevistos vários, não puderam correr.

Várias hipóteses com inúmeras combinações  foram para a mesa. Carro próprio, aluguer, comboio, avião, autocarro, tantas eram as soluções e quase todas muito dispendiosas.

Rapidamente tive de optar pelo autocarro expresso (que de expresso não tinha nada) até Caminha, a opção mais económica. Acabou por ser a viagem de autocarro mais confortável, com direito a internet, TV, possibilidade de carregar o telefone, espaçoso… só faltava a comissária de bordo.

foto_gtsa_2com a casa às costas

E assim foram mais de 10 horas de viagem, ida e volta !!!

 

3. Alojamento

Aqui não havia muitas dúvidas, mas algumas surpresas reservadas.

Desde o ínicio deste objectivo que tinha previsto levar a família, tal como aconteceu no trail da Benfeita. Não foi possível este cenário ideal. Por motivos profissionais e pelas actividades escolares, não puderam mais uma vez experenciar o espírito do trail.

O mais novo até iria participar no trail jovem no dia anterior à minha prova.

O plano A, versão sem família, foi acampar em solo duro no campo de futebol em Dem, perto do local de partida.

Ao chegar a Caminha tive ainda oportunidade de assistir ao briefing das provas, dado pelo Carlos Sá. Um relato minucioso, com recomendações utéis. Antes que escurecesse, dirigi-me para o local de dormida…

Um silêncio… campo vazio…apenas com as tendas de campanha montadas, que serviriam de balneário para o final das provas que terminariam em Dem.

Foi pegar na tenda e montá-la o mais rapidamente possível, antes que chegasse a noite. 1,2,3 , pronta. Montá-la foi rápido, desmontá-la precisei de auxílio dos vizinho.

Sol a cair, e no silêncio da serra, aproveitei para preparar o equipamento para o dia seguinte e jantar uma bela massa com atum.

Pensei que estariam mais atletas naquela zona, mas afinal tornou-se um bom momento de introspeção e uma oportunidade para recuperar horas de descanso.

 

4. Prova

Parti para esta prova com o medo habitual e cheio de expectativas. As boas refências eram mais do que suficientes para esperar um bom desafio.

A organização até ao dia D, foi incansável nos esclarecimentos que fui colocando quer via facebook, quer via email. Aliás uma das provas mais bem organizadas que participei até à data.

Dia da prova e o ambiente na partida para os 33 kms e 53 kms era impressionante, cerca de 2000 atletas no conjunto das provas.Foi sem dúvida  uma boa opção  a partida conjunta das duas provas. A zona da partida cheia de apoiantes dos atletas e habitantes da terra.

foto_gtsa

Arranque da prova com uma primeira volta à aldeia para diluir o pelotão e começava o verdadeiro desafio.

GTSA_33kma altimetria do trail longo

O percurso começou logo a subir com mais de 700 metros D+. Uma paisagem sem palavras, impressionante, motivadora q.b. para chegar ao primeiro abastecimento aos 9 kms.

Depois foi um constante sobe e desce até ao final. As subidas feitas com alguma reserva e as descidas impressionantes sempre a acelerar.

foto_gtsa_1

Direito a duche no final e transporte de volta para Dem, para o respasto, um belo prato de rancho.

Uma prova a repetir de certeza para o ano, na versão ultra.

Terminei após 5:23:18, com uma média de 9’48”/km no 259º lugar da geral de 476 atletas e 144º lugar no escalão.

Resumo:

Pontos positivos | + organização  (5 estrelas)

Pontos negativos | nada a apontar

 

Boas provas em COMPANHIA!

* Fotos  Pedro Barbeitos, Miro Cerqueira Photography e Helder Azevedo

 

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